Brincadeiras para crianças de 16 a 22 meses: as 10 melhores

Aos 16 meses, o bebé deu lugar a uma pequena pessoa que resolve problemas: quer trepar, testar, encaixar, imitar e — acima de tudo — ser bem-sucedida. Entre os 16 e os 22 meses, as melhores brincadeiras aproveitam este motor: desafios com opostos (dentro/fora, pára/avança), movimento e pequenos mistérios para resolver.

O que muda numa criança dos 16 aos 22 meses?

Dos 16 aos 22 meses, a criança já anda com segurança, começa a correr e a trepar, e passa a aprender sobretudo por tentativa e erro: quer resolver problemas e sentir que consegue. O vocabulário cresce depressa, e conceitos opostos — dentro/fora, em cima/em baixo, cheio/vazio — são a forma mais simples e divertida de o alimentar.

É também a idade em que a criança precisa de muito movimento: a OMS recomenda pelo menos 180 minutos de atividade física por dia entre o 1.º e o 2.º ano de vida, espalhados ao longo do dia. As 10 brincadeiras que se seguem cobrem esse movimento — e mais linguagem, atenção e resolução de problemas — só com material de casa.

As 10 brincadeiras para crianças de 16 a 22 meses

As 10 brincadeiras desta fase: construir tendas, o jogo do congela com música, o "pára e avança", um percurso de subir e descer, a pinhata caseira, a caça ao tesouro, a marcha às cavalitas, a roda "Oh Rosa arredonda a saia", o jogo "será que cabes?" com caixas de cartão e o equilíbrio sobre uma linha no chão.

1. Construir tendas

Uma manta sobre a mesa ou sobre duas cadeiras, almofadas do sofá empilhadas à volta — e nasce um esconderijo. As crianças desta idade adoram enfiar-se em espaços pequenos: é o fascínio crescente pela consciência espacial a manifestar-se. Trabalha: a noção de espaço, a autonomia e o faz-de-conta que começa a despontar.

2. O jogo do congela

Dê um lenço para cada mão, ponha música e dancem. Quando a música pára — congela! Tudo quieto até voltar a tocar. Trabalha: a escuta atenta, o autocontrolo (parar o corpo todo é dificílimo nesta idade) e o equilíbrio. É também um primeiro treino, disfarçado de festa, para seguir regras.

3. “Pára” e “avança”

Combine as regras: quando ouvir “avança”, a criança corre; quando ouvir “pára”, fica quieta. Depois troquem — deixe que seja ela a comandar. Poucas coisas divertem tanto uma criança de ano e meio como mandar parar um adulto. Trabalha: a atenção, a compreensão de dois conceitos opostos e a alternância de papéis.

4. Percurso de subir e descer

Alinhe bancos baixos, degraus e almofadas, e deixe a criança subir, descer, contornar e passar por baixo, sempre com supervisão. Vá dizendo em voz alta: “em cima!”, “em baixo!”, “fora!”. Trabalha: a motricidade global, o trepar em segurança e os conceitos espaciais associados às palavras.

5. Pinhata caseira

Pendure uma bola leve e colorida (um balão serve) um pouco acima do alcance da criança. Como é que ela resolve o problema? Fica em bicos de pés? Vai buscar uma almofada para subir? Estica-se de um banco? Observe sem resolver por ela. Trabalha: a coordenação olho-mão e, sobretudo, a resolução de problemas.

6. Caça ao tesouro

Esconda um objeto especial na zona de brincar — primeiro num sítio meio visível, depois cada vez mais difícil, à medida que ela apura a pesquisa. Festeje cada descoberta. Trabalha: a permanência do objeto, a memória e a persistência. É a versão para crescidos do “cucu” dos primeiros meses.

7. Marcha às cavalitas

Música de marcha, criança aos ombros, e desfile pela casa. Depois ponha-a no chão e troquem: agora é ela que lidera e decide para onde vai o desfile. Trabalha: a noção espacial, o ritmo e a liderança — deixar a criança comandar a brincadeira alimenta a confiança e a iniciativa.

8. “Oh Rosa arredonda a saia”

Segure uma manta esticada sobre a cabeça da criança e suba-a e desça-a devagar, a cantar “Oh Rosa arredonda a saia…”. Ande à volta, deixe-a tentar agarrar o pano, esconda-a por baixo no fim. Trabalha: o tato, a linguagem através da canção e a antecipação — além de ser um clássico do nosso cancioneiro que passa de geração em geração.

9. Será que cabes?

Junte caixas de cartão de vários tamanhos — algumas onde a criança caiba sentada, outras claramente pequenas demais. Ponha-as em fila e pergunte: “será que cabes?”. Deixe-a testar, falhar e escolher a próxima. Trabalha: a consciência corporal, a noção de tamanho e a resolução de problemas por tentativa e erro.

10. Equilíbrio na linha

Cole uma fita adesiva no chão, estenda um lenço comprido ou use uma tábua larga assente no chão. Primeiro, atravesse com ela pela mão; depois deixe-a tentar sozinha, com os braços a fazer de “asas”. Trabalha: o equilíbrio, a coordenação bilateral e a confiança no próprio corpo.

Tabela-resumo: o que cada brincadeira trabalha

BrincadeiraSentidos e competênciasMaterial de casa
Construir tendasConsciência espacial, autonomiaManta + mesa ou cadeiras
Jogo do congelaEscuta, autocontrolo, equilíbrioMúsica + 2 lenços
Pára e avançaAtenção, opostos, regrasEspaço livre
Subir e descerMotricidade global, conceitos espaciaisBancos, degraus, almofadas
Pinhata caseiraCoordenação olho-mão, resolução de problemasBalão ou bola + fio
Caça ao tesouroMemória, persistênciaUm brinquedo preferido
Marcha às cavalitasRitmo, liderança, noção espacialMúsica de marcha
Oh Rosa arredonda a saiaTato, linguagem, antecipaçãoManta
Será que cabes?Consciência corporal, tamanhosCaixas de cartão variadas
Equilíbrio na linhaEquilíbrio, coordenação bilateralFita adesiva ou lenço

Regra de ouro: deixe a criança resolver. Nesta fase, o que ela mais quer é ser bem-sucedida por mérito próprio. Resista a alcançar a bola, encontrar o tesouro ou escolher a caixa por ela — o valor da brincadeira está exatamente na tentativa.

Que marcos de desenvolvimento esperar dos 16 aos 22 meses?

Segundo o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da DGS, entre os 16 e os 22 meses a maioria das crianças anda bem e começa a correr, sobe escadas com ajuda, empilha 2 a 4 cubos, usa colher, diz entre 6 e 20 palavras, aponta para partes do corpo quando pedido e imita tarefas domésticas.

Referências desta janela, de acordo com a DGS e o SNS 24:

Sinais para conversar com o médico ou enfermeiro de família nas consultas de vigilância: aos 18 meses, não andar sozinha, não dizer palavras isoladas ou não apontar para pedir. Cada criança tem o seu ritmo — os marcos são referências para acompanhar, não provas a passar.

Como saber que já chega por hoje?

Aos 16–22 meses, o "já chega" raramente é subtil: a criança abandona o jogo, atira o material, deita-se no chão ou pede colo. Sono e fome amplificam tudo. Encerre a brincadeira sem insistir, ofereça uma transição calma — água, história, janela — e retome noutra altura. Forçar só ensina que brincar cansa.

Nesta idade junta-se um sinal novo: a frustração explosiva quando algo não sai à primeira. Se a torre cai ou a bola não se deixa apanhar, valide (“que zanga, não conseguiste!”) e reduza um grau de dificuldade em vez de acabar com a brincadeira. Para perceber o que o brincar está a construir por trás destas cenas, espreite os segredos do brincar.

A série completa de brincadeiras por idades

Este artigo fecha (por agora) a nossa série por faixas etárias:

Para ter estas brincadeiras sempre à mão

Uma criança de ano e meio não espera que os pais se lembrem de ideias: quer brincar agora. Ter fichas organizadas por idade — com material e passo-a-passo — transforma “não sei o que fazer com ele hoje” em dois minutos de preparação. Foi para isso que criámos os guias abaixo.

Perguntas frequentes

Quais são as melhores brincadeiras para crianças de 16 a 22 meses?

As que desafiam a resolução de problemas e o corpo em movimento: construir tendas com mantas, o jogo do congela, o 'pára e avança', percursos de subir e descer, a pinhata com uma bola pendurada, a caça ao tesouro, marchar, canções de roda com uma manta, caixas para testar 'será que cabes?' e andar sobre uma linha no chão.

O que deve fazer uma criança de 18 meses?

Aos 18 meses, a maioria anda bem e começa a correr, sobe escadas com ajuda, empilha 2 a 4 cubos, usa colher, diz pelo menos 6 a 10 palavras, aponta para o que quer e imita tarefas da casa. São referências do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil — cada criança tem o seu ritmo.

Quanto tempo de atividade física precisa uma criança desta idade?

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 180 minutos de atividade física por dia para crianças de 1 a 2 anos, repartidos ao longo do dia e de qualquer intensidade. Brincadeiras de movimento em casa — trepar, correr, dançar, marchar — contam todas para este total.

Porque é que as brincadeiras com opostos são importantes nesta fase?

Porque a criança está a construir vocabulário e conceitos ao mesmo tempo. Pares como dentro/fora, em cima/em baixo, pára/avança ou cheio/vazio dão-lhe categorias simples para organizar o mundo — e brincadeiras como o 'pára e avança' tornam esses conceitos concretos, vividos com o corpo.

Fontes: